O número de pessoas mortas durante confronto entre policiais e criminosos nas favelas do Rio tem alcançado números impressionantes. Só no Complexo do Alemão, este ano, oito pessoas morreram. O total de policiais mortos em todo o estado chegou a 55. São registros da violência que assombra a população a cada dia.
A estudante e moradora do Complexo do Alemão, Thamires Carvalho, de 20 anos, diz que a situação fugiu do controle há muito tempo:
" A gente não sabe o que fazer. A polícia pede pra gente não sair de casa mas a gente que trabalhar, tem que estudar. Há muito tempo que a gente vive nessa situação, mas só agora esse monte de gente tem morrido. Não dá mais pra viver assim."
O porta-voz da polícia militar, Major Ivan Blaz aponta que a violência tem avançado em todo estado e que esta não é uma condição específica das favelas:
" A violência é uma forma ampla no estado do Rio de janeiro. Ela vem aumentando ano a ano. Por conta da crise vários programas de acolhimento foram cerceados. Com isso, há um aumento na criminalidade."
Um soldado da polícia militar que não teve a identidade revelada, questionado sobre a vitimização de agentes, diz que a condição psicológica dos pms prejudica na ação diária:
" Se um amigo meu morrer em conflito, ao meu lado, meu serviço vai continuar normalmente. No outro dia, vou ter que trabalhar mesmo que traumatizado. Não tenho o apoio psicológico da corporação. O policial sai de casa e não sabe se vai voltar. Se ficar encurralado como já fiquei, fica pensando: ‘Será que é hoje?’ — observa ele."
Segundo a Polícia Militar, o estado conta hoje com 38 UPPs e um efetivo de 9.543 policiais. Mas de acordo com Major Blaz, a ação preventiva da corporação e prejudicada pela escassez de recursos do Estado:
" Ao prejudicar a ação preventiva você aumenta a repressão. E havendo repressão, você tem um maior enfrentamento."
Nenhum comentário:
Postar um comentário