quarta-feira, 26 de abril de 2017

Número de mortos em tiroteios aumenta no Rio

O número de pessoas mortas durante confronto entre policiais e criminosos nas favelas do Rio tem alcançado números impressionantes. Só no Complexo do Alemão, este ano, oito pessoas morreram. 
O total de policiais mortos em todo o estado chegou a 55. São registros da violência que assombra a população a cada dia.  
A estudante e moradora do Complexo do Alemão, Thamires Carvalho, de 20 anos, diz que a situação fugiu do controle há muito tempo: 
" A gente não sabe o que fazer. A polícia pede pra gente não sair de casa mas a gente que trabalhar, tem que estudar. Há muito tempo que a gente vive nessa situação, mas só agora esse monte de gente tem morrido. Não dá mais pra viver assim." 
O porta-voz da polícia militar, Major Ivan Blaz aponta que a violência tem avançado em todo estado e que esta não é uma condição específica das favelas: 
A violência é uma forma ampla no estado do Rio de janeiro. Ela vem aumentando ano a ano. Por conta da crise vários programas de acolhimento foram cerceados. Com isso, há um aumento na criminalidade." 
Um soldado da polícia militar que não teve a identidade revelada, questionado sobre a vitimização de agentes,  diz que a condição psicológica dos pms prejudica na ação diária: 
Se um amigo meu morrer em conflito, ao meu lado, meu serviço vai continuar normalmente. No outro dia, vou ter que trabalhar mesmo que traumatizado. Não tenho o apoio psicológico da corporação. O policial sai de casa e não sabe se vai voltar. Se ficar encurralado como já fiquei, fica pensando: ‘Será que é hoje?’ — observa ele." 
Segundo a Polícia Militar, o estado conta hoje com 38 UPPs e um efetivo de 9.543 policiais. Mas de acordo com Major Blaz, a ação preventiva da corporação e prejudicada pela escassez de recursos do Estado: 
" Ao prejudicar a ação preventiva você aumenta a repressão. E havendo repressão, você tem um maior enfrentamento."

terça-feira, 25 de abril de 2017

Salve-se quem puder!

Quatro pessoas mortas e três policiais feridos, entre eles, um militar do Bope. 
Este é o balanço da operação que a polícia militar concluiu no Complexo do Alemão, na zona oeste do Rio, nesta última terça-feira, 25, especificamente na região da Nova Brasília, para a instalação de uma cabine blindada da polícia militar, uma localidade conhecida por moradores e policiais por ser uma região ainda de domínio do tráfico e onde intensos tiroteios já ocorreram. 
O objetivo da cabine é proteger os militares na comunidade, que desde de 2010 recebeu uma unidade de polícia pacificadora, mas não os livra de trocas de tiros durante a chegada e saída das esquipes até a torre. E ainda, os moradores continuarão a ficar na linha de tiro. 
A política de segurança das UPPs há muito tempo vem sendo questionada. Quando será que o estado irá recuar e aceitar que o projeto não deu certo? Declarações do subcoordenador de Polícia Pacificadora, tenente-coronel Marcos Borges, numa audiência pública, nesta terça-feira, indignaram as pessoas presentes por deixar evidente que as invasões de policiais militares às casas dos moradores constavam de uma estratégia e foram planejadas pelo comando da UPP. Moradores foram às ruas protestar.  
Até que ponto a ação da polícia é legítima? Até que ponto as UPPs funcionam e protegem? Até quando policiais e moradores vão perder a vida nesse beco sem saída?  
Mesmo com as unidade pacificadoras instaladas nas favelas do Rio, o domínio de traficantes de drogas ainda é uma realidade. As fronteiras do país por onde as drogas chegam, e lá é o lugar onde o trabalho efetivamente deveria estar sendo realizado, está aberta à todos os países da América do Sul. A principal rota da droga que sai da Bolívia, Colômbia e do Peru com destino à Europa, passando pelo oeste da África, é o Brasil. Outro ponto frágil são os rios de fronteira, por onde a droga entra livremente, cruza o oceano em barcos e contêineres, e chega até os consumidores europeus. 
O Brasil é o segundo maior consumidor de cocaína no mundo e, muito provavelmente, o maior consumidor de produtos que têm a cocaína como base, como o crack. É o que diz o relatório do Departamento de Estado dos Estados Unidos sobre as estratégias internacionais de controle do tráfico. 
Foto: Jornal Extra
Mas os narcotraficantes não estão só envolvidos com a venda de produtos ilícitos, mais também com roubos de carros, bancos, caixas eletrônicos, tráfico de armas, crianças, órgãos humanos, prostituição, pornografia infantil, sequestros, lavagem de dinheiro, financiamento de campanhas políticas, etc. E o reflexo está no nosso dia-a-dia. Os quartéis desses narcotraficantes são as favelas e periferias do estado.  
Enquanto isso vidas vão se perdendo. Pessoas estão morrendo. Moradores, policiais, criminosos. É guerra urbana. A polícia enxuga gelo. Famílias choram. O medo assola. A violência vence. 

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segunda-feira, 24 de abril de 2017

Cada cabeça ... uma sentença!

Oi, pessoal!
Pensei muito para escolher o primeiro assunto do blog e confesso que não consegui decidir entre os assuntos que eu havia escolhido. Então larguei tudo e recomecei. Daí, logo veio a minha cabeça um caso que tem repercutido muito nos jornais e nas redes sociais: o caso Rafael Braga.
Para quem não acompanhou, Rafael é um ex-morador de rua e em julho de 2013 durante os protestos que tomaram as ruas do país, ele foi preso por estar com dois vidros de desinfetante nas mãos, que segundo ele, encontrou os itens próximo de onde ele costumava ficar. Na situação, ele foi abordado pela polícia e foi levado para a delegacia e não voltou. 
Tanto o Ministério Público quanto a polícia civil afirmaram que Rafael tinha a intenção de usar as substancias como coquetel molotov, porém o laudo técnico apontou que seria impossível que os desinfetantes funcionassem como coquetel para este fim. Ainda assim, Rafael foi preso e só conseguiu relaxamento da prisão em dezembro de 2015.
Em janeiro de 2016 o jovem foi preso novamente, desta vez acusado de tráfico e associação para o tráfico. De acordo com a polícia militar Rafael foi flagrado com 0,6 gramas de maconha e um morteiro. Testemunhas alegam que o jovem foi abordado sem nada nas mãos e Rafael acusa a polícia de ter plantado as provas contra ele.
Rafael Braga que já cumpria pena de 4 anos e 11 meses em regime domiciliar foi então condenado a 11 anos de reclusão na última semana.
Entretanto, supondo que o jovem foi pego com essa quantidade de drogas, fica o questionamento: qual a quantidade de entorpecente configura tráfico? 0,6 gramas de maconha seria o suficiente para enquadrar Rafael no artigo 33 do código penal (tráfico de drogas)?
A Nova Lei de Drogas de 2006 distingue traficantes de usuários. O consumo pessoal continua sendo crime, porém, não mais passível de reclusão. Mas a lei não evitou que policiais e juízes tomassem a leitura que bem entendesse sobre cada caso. Logo, o uso pessoal voltou a ser enquadrado como tráfico. Mas não em todos os casos (podemos abordar isso em outro post).
 Esse foi um dos motivos para o número de prisões aumentar e as cadeias superlotarem desde 2006.  
A justiça já bateu o martelo no caso do Rafael. Mas nessa história há muito debate ainda: terá sido Rafael Braga condenado por ser negro e pobre? O martelo da justiça tem o mesmo peso para todos?
Mas, cada caso é um caso... cada cabeça uma sentença!
Compartilhe sua opinião e até a próxima!

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sexta-feira, 21 de abril de 2017

Oi, pessoas!
Sou Cecília Vasconcelos, aluna de jornalismo da Puc Rio e neste blogue eu vou falar sobre um tema bastante frequente nas manchetes de todos os jornais brasileiros: violência. Mais precisamente, o narcotráfico, o comércio ilegal de drogas, um dos fatores de maior peso e causador das maiores guerras urbanas da América do sul.
Mas como o tema já é pesado, resolvi pegar manchetes de jornais com assuntos factuais, ou não, e fazer um aprofundamento da situação, seguindo o intuito do blogue.
Talvez assim, eu e você, possamos entender um pouco mais onde essa guerra se inicia, mas nunca onde ela vai acabar. E, se vai...
Obrigada pela visita e aguardo o seu retorno.
Ah, e não esqueça de deixar seu comentário. Fique a vontade que a casa é nossa.

Número de mortos em tiroteios aumenta no Rio

O número de pessoas mortas durante confronto entre policiais e criminosos nas favelas do Rio tem alcançado números impressionantes. Só no ...